Brasil avança na escolarização, mas não melhora no aprendizado.

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Brasil avança na escolarização, mas não melhora no aprendizado escrito por por Laura Mattos na Folha de São Paulo em 14 de fevereiro de 2026, levanta questões muito importantes e atuais sobre a educação no Brasil. 

A situação descrita por Laura Mattos, sobre o acesso às escolas ter aumentado nas últimas décadas enquanto o aprendizado dos alunos continua insatisfatório, reflete um paradoxo que muitos especialistas têm identificado.

"Em 1970, tínhamos no Brasil 40% dos alunos repetindo a 1ª série. Era uma maneira de manter os mais pobres, os negros, fora do sistema escolar. Eles repetiam uma vez, duas vezes, três vezes e acabavam saindo da escola"

"É uma minirrevolução", enfatiza Guilherme Lichand, professor da Universidade de Stanford, dos EUA, especializado em políticas educacionais de diferentes países. Ele lembra que o diploma do ensino médio, em 1980, ainda girava em torno de 10% da força de trabalho e, nos anos 2020, atingiu cerca dois terços dessa população.

Já no ensino superior o avanço foi bem mais lento, mas, ainda assim, ocorreu. "Em 1980, menos de 5% tinham ensino superior, e isso mudou muito pouco até os anos 2000, quando ainda estávamos abaixo de 10%", aponta Lichand. "A partir daí houve uma aceleração, e, nos anos 2020, finalmente ultrapassamos os 20%."

"Em 1930, enquanto ainda tínhamos 21,5% das crianças no primário, no Chile já eram quase 70% e, na Argentina, 62%"

"Enquanto aqui apenas cerca de 10% da força trabalhadora havia concluído o ensino médio por volta de 1980, nos EUA e no Canadá já eram aproximadamente 75%".

"No ensino superior, a média de 20% de brasileiros acima dos 25 anos com diploma é metade dos cerca de 40% dos países da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), o "clube dos ricos", entre eles EUA, Canadá e Suíça. Mesmo comparados a nações da América Latina, estamos atrás. A proporção de brasileiros de 25 a 34 anos com diploma universitário, 23,4%, é mais baixa do que a do México (27,1%), da Colômbia (30,5%) e do Chile (40,5%)."

O economista defende que é preciso investir na recuperação de aprendizagem no contraturno, estudos demonstram que não há muita diferença de desempenho dos alunos de redes de ensino com reprovação e daquelas com aprovação automática. "Em ambas os alunos aprendem muito pouco."

"Mais de 70% dos alunos têm resultado insatisfatório em matemática, metade em habilidades de leitura e 55% em ciência. Mesmo as notas das escolas particulares, embora melhores do que as da rede pública, estão abaixo da média da OCDE".

Avançamos fantasticamente na ampliação do direito de estudar em escolas, agora precisamos dramaticamente avançar na ampliação do direito de aprender inclusive na rede privada.

Para que o Brasil atinja pelo menos a média da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) em aprendizagem, é preciso enfrentar problemas estruturais profundos.

Hoje, mesmo alunos de escolas privadas brasileiras frequentemente apresentam desempenho médio inferior ao de alunos da OCDE em avaliações como o PISA. Isso revela que o problema não é apenas de acesso, mas de qualidade sistêmica.

Estudou nas mesmas universidades depois de ter concluído sua formação básica no mesmo sistema educacional com as mesmas lacunas, e o motivo pelo qual esse professor é o mesmo tem a ver com o segundo problema:

É que nosso sistema educacional é quase todo de tempo parcial.

Por isso o professor consegue dar aula na Rede Pública de tarde ou de noite e na rede privada de manhã.

Somente num sistema que tem um conceito ininteligível na esmagadora maioria dos países, que é o conceito de turno, de turno da tarde, da manhã, é que é possível o professor trabalhar numa parte do dia numa rede e na outra parte em outra.

Porque nossos alunos são dos que passam menos horas na escola em comparação com o tempo que passam alunos de outros países. Hoje na rede pública um quarto das escolas são de tempo integral e na rede privada são menos de 10%

Em resumo, ao mesmo tempo em que celebramos os avanços no acesso à educação, é fundamental direcionar esforços para melhorar a qualidade de ensino. Isso requer um investimento consciente em formação de professores, metodologias eficazes e ampliação do tempo de aula, garantindo que todos os alunos, independentemente de sua origem, tenham seu direito de aprender plenamente assegurado.

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